Lab180 Fernando Borges

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Bem vindo ao Lab180 Fernando Borges. Uma produtora de áudio que trabalha com rock, pop, samba, Jazz e etc.

Aulas online ao vivo de guitarra, violão e improvisação.

06/09/2026
06/09/2026

Ausente o encanto antes cultivado
Percebo o mecanismo indiferente
Que teima em resgatar sem confiança
A essência do delito, então sagrado
Meu coração não quer deixar
Meu corpo descansar
E meu desejo inverso é velho amigo
Já que o tenho sempre a meu lado
Hoje, então, aceitas pelo nome
O que perfeito entregas, mas é tarde
Só daria certo aos dois que tentam
Se ainda embrigado pela fome
Exatos teu perdão e tua idade
O indulto a ti tomaste como bênção
Não esconda tristeza de mim
Todos se afastam quando o mundo está errado
Quando o que temos é um catálogo de erros
Quando precisamos de carinho
Força e cuidado
Este é o livro das flores
Este é o livro do destino
Este é o livro de nossos dias
Este é o dia dos nossos amores.

26/08/2026

Alguém lembra o nome da cidade ?
Edmilson Barbosa Morais Thiago Costa Percussão (Roy) Pablo Carvalho 03/01/2003

26/08/2026

Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa; uma impaciência da alma consigo mesma, como com uma criança inoportuna; um desassossego sempre crescente e sempre igual. Tudo me interessa e nada me prende.

— Bernardo Soares / Fernando Pessoa
📖 Livro do Desassossego

21/08/2026

O cansaço de todas as ilusões e de tudo que há nas ilusões - a perda delas, a inutilidade de as ter, o antecansaço de ter que as ter para perdê-las, a mágoa de as ter tido, a vergonha intelectual de as ter tido sabendo que teriam tal fim.
A consciência da inconsciência da vida é o mais antigo imposto à inteligência. Há inteligências inconscientes - brilhos do espírito, correntes do entendimento, mistérios e filosofias - que têm o mesmo automatismo que os reflexos corpóreos, que a gestão que o fígado e os rins fazem de suas secreções. Bernardo Soares

11/08/2026

Recados

Sobre as teclas,
onde a música costuma nascer,
hoje nasceram papéis.

Papéis pequenos,
mal cortados,
com letras que ainda aprendem
a caber na linha.

Um escreve parabéns.
Outro desenha um coração.
Outro desenha quem talvez
seja eu.

Há uma casa,
há balões,
há uma flor,
há crianças que são apenas
alguns riscos de lápis
e, por isso mesmo,
inteiras.

Não sabem ainda
fazer um poema.

Fizeram coisa melhor:

deixaram o poema sobre o piano.

E eu, que passo a vida
ensinando a juntar sons,
recebi deles
o que não se ensina:

um amontoado de letras,
cores, nomes e desenhos
que, postos sobre as teclas,
fazem silêncio
e dizem tudo.

10/08/2026

Aniversário

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a.olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . .

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...

04/08/2026

Trinta e nove

Pois é.

O tênis veterano vai virar protagonista em dias de chuva, que em cima da moto é uma catástrofe.

Mas é. E tem um detalhe.

Eu gosto tanto de tênis Adidas que queria justamente o modelo que agora aposentei. Só que não tinha número 40. Só 39.

Na época, experimentei.

Era o último.

Falei: “que se f**a, meu dedão que se adapte”, e comprei o desgraçado.

O tempo fez ele ceder, como faz a tudo.

Agora tem substituto.

Um Adidas 40.

Photos from Lab180 Fernando Borges's post 24/07/2026

Caderno 01 - Monk

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