Repórter Carlos Uqueio

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11/09/2026

Há dias, vi a capa de um jornal que recorreu à inteligência artificial para produzir uma imagem que, além de não corresponder à realidade, distorcia deliberadamente a figura do Chefe de Estado.
É preciso dizê-lo sem rodeios, pois isto não é fotojornalismo, é manipulação.
É verdade que a inteligência artificial pode ser uma ferramenta útil para o jornalismo, mas não pode ser utilizada para fabricar uma realidade e depois apresentá-la ao leitor como se fosse um acontecimento verdadeiro. Quando se altera o rosto, a expressão, o corpo, o cenário ou qualquer outro elemento essencial de uma fotografia, está-se a adulterar o testemunho visual.
No meu livro Repórter de Sombras e Esperança: A Fotografia como Testemunho da Reportagem, na página 83, sou categórico ao afirmar que “um fotojornalista não deve manipular imagens na edição de uma forma que altere a realidade dos eventos documentados”.
A razão é simples. A fotografia jornalística é um documento. Portanto, o seu compromisso é com a verdade, não com a estética, o espectáculo ou a conveniência editorial.
Uma coisa é corrigir brilho, contraste, cor, nitidez ou fazer um recorte que não altere o sentido da imagem. Outra, completamente diferente, é utilizar inteligência artificial para criar ou modif**ar aquilo que a câmara nunca registou.
Se uma imagem é criada artificialmente, deve ser assumida como ilustração. Se é manipulada de forma substancial, deve ser identif**ada. O que não se pode fazer é enganar o leitor.
E quando isso envolve um Chefe de Estado, a irresponsabilidade é ainda maior. Uma fotografia manipulada pode criar uma falsa percepção sobre a conduta, o estado de espírito, a posição ou a participação de uma figura pública num determinado acontecimento.
Os jornais têm liberdade editorial sim, mas não têm licença para falsif**ar testemunhos visuais.
O problema, portanto, não é a inteligência artificial. O problema é o jornalista ou editor que abdica da ética para produzir uma imagem mais apelativa, mais polémica ou mais conveniente.
No fotojornalismo, há uma linha que não deve ser ultrapassada. Pode-se melhorar uma fotografia, mas não se pode inventar a realidade.
Quando se inventa a realidade, deixa de existir fotojornalismo. Existe apenas uma imagem manipulada apresentada ao público como verdade. E isso é bastante grave.
Carlos Uqueio

20/08/2026

Procedi ontem à oferta simbólica de alguns exemplares do meu livro Repórter de Sombras e Esperança: a Fotografia como Testemunho de Reportagem” ao Centro de Documentação e Formação Fotográf**a de Maputo, instituição onde dei os primeiros passos na minha formação fotográf**a, no âmbito das celebrações do Dia Mundial da Fotografia,

Foi um momento de particular signif**ado para mim. Voltar à escola que me formou, agora como profissional, e entregar uma obra que reúne parte do meu percurso no fotojornalismo representa um gesto de gratidão e reconhecimento por tudo o que esta instituição significou na minha caminhada.

Durante a intervenção, destaquei que o livro não reúne apenas reportagens e fotografias. Contém também artigos de opinião que escrevi ao longo dos anos sobre fotografia, fotojornalismo e os desafios da profissão. Por isso, deixei um apelo aos estudantes de Jornalismo e aos jovens fotógrafos presentes para que procurem a obra, não apenas como registo de uma experiência profissional, mas também como fonte de reflexão e orientação para quem está a iniciar o seu percurso.

Acredito que partilhar experiências é também uma forma de contribuir para a formação das novas gerações. E não poderia haver lugar mais simbólico para esta oferta do que a escola onde a minha própria caminhada na fotografia começou.
Foto:Mendes Mondlane/ CDFF

19/08/2026

Por ocasião do Dia Mundial da Fotografia, que hoje se assinala, concedi uma entrevista ao Jornal Moçambique, na qual reflecti sobre os desafios que a Inteligência Artificial coloca à fotografia, particularmente ao fotojornalismo.

Na entrevista, defendi que, numa época em que é possível criar imagens de acontecimentos, pessoas e situações que nunca existiram, a fotografia real ganha ainda maior importância. Uma fotografia de reportagem não é apenas uma imagem. É testemunho, documento, memória e prova de que alguém esteve naquele lugar, naquele momento, para registar determinado acontecimento.

Falei também sobre os riscos da IA para a profissão, nomeadamente a desinformação, a manipulação da realidade, a desvalorização do trabalho dos fotógrafos e a perda de confiança do público nas imagens que vê.

Defendi, contudo, que a Inteligência Artificial deve ser encarada também como uma ferramenta que os profissionais precisam de compreender e utilizar com responsabilidade. Adaptar-nos à tecnologia não signif**a abdicar dos princípios que fazem da fotografia uma profissão e do fotojornalismo uma actividade de interesse público.

Como fotojornalista, continuo a acreditar que nenhuma tecnologia substitui o olhar, a experiência, a ética e, sobretudo, o testemunho de quem esteve lá.

Neste Dia Mundial da Fotografia, f**a também o meu apelo para que valorizemos os fotógrafos moçambicanos, protejamos a sua autoria e reconheçamos a fotografia pelo seu verdadeiro valor enquanto instrumento de memória e documentação da nossa sociedade.

17/08/2026

Esta semana assinala-se, em todo o mundo, o Dia Mundial da Fotografia, uma data que nos convida a olhar não apenas para as imagens que produzimos, mas também para aqueles que dedicaram a vida a construir a memória através da fotografia.

Foi neste contexto que conversei com José Machado, fotógrafo e proprietário da Foto Retina em Maputo, com cerca de sete décadas de carreira, testemunha de diferentes momentos da história de Moçambique e um dos profissionais que viveu a fotografia numa época em que cada imagem exigia conhecimento, técnica, paciência e responsabilidade.

Natural do Porto, José Machado chegou a Moçambique ainda jovem, passou pela antiga Foto Lusitana, pelo jornal Notícias e acompanhou acontecimentos marcantes da história do país. Entre as histórias que partilha está a do negativo do retrato oficial de Samora Machel que passou pelas suas mãos e cujo trabalho de retoque antecedeu a utilização da imagem na moeda nacional.

Hoje, aos 84 anos, continua ligado à fotografia através do Foto Studio Retina, em Maputo. Nesta conversa, fala sobre os bastidores do fotojornalismo analógico, as coberturas que marcaram a sua carreira, o desaparecimento da câmara escura e a diferença entre fotografar antigamente e nos tempos actuais.

A entrevista pode ser lida na edição desta semana do jornal Domingo

Para mim, esta conversa representa também uma forma de preservar a memória de uma geração de fotógrafos cujo trabalho ajudou a construir a memória visual de Moçambique.

Link:https://jornaldomingo.co.mz/artes-letras/fotografia-memoria-historia-sete-decadas-a-revelar-a-memoria-de-mocambique/

Photos from Repórter Carlos Uqueio's post 15/08/2026

Tive a honra e a responsabilidade de apresentar, na qualidade de curador, a exposição comemorativa dos 40 anos da institucionalização do cargo de Primeiro-Ministro e da criação do respectivo Gabinete de apoio, inaugurada ontem em Maputo por Sua Excelência o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo.
Mais do que uma exposição fotográf**a, este projecto procurou construir uma narrativa visual sobre quatro décadas de história institucional. Uma viagem iniciada em 1986, sob a liderança do Presidente Samora Machel, quando foi institucionalizado o cargo de Primeiro-Ministro e nomeado Mário da Graça Machungo como primeiro titular da função.
Ao longo deste percurso, procurei apresentar ao Presidente da República momentos que ajudam a compreender a evolução desta instituição e os diferentes ciclos de governação. Entre os marcos mais signif**ativos está a nomeação de Luísa Dias Diogo, a primeira mulher a ocupar o cargo de Primeira-Ministra na história de Moçambique, representando um momento de particular importância na evolução política e institucional do país.
Hoje, essa história continua com Maria Benvinda Levi, a segunda mulher a assumir a função, entre os oito Primeiros-Ministros que Moçambique teve desde a institucionalização do cargo.
Através de fotografias, documentos e registos históricos, a exposição recupera momentos, rostos, espaços e acontecimentos que marcaram diferentes períodos da governação moçambicana e contribuíram para a construção da memória do Gabinete do Primeiro-Ministro.
Para mim, enquanto foto-jornalista e curador, este trabalho representa algo que vai para além da fotografia. Representa a possibilidade de transformar imagens e documentos em memória, conhecimento e património institucional.
Assumir a curadoria desta exposição foi uma responsabilidade que recebi com sentido de missão e profundo respeito pela história de Moçambique.
Foto: Benildo Fiimone/GPR

Carlos Uqueio e a fotografia como testemunho da verdade e da memória colectiva 13/07/2026

Tive a honra de conceder uma entrevista à Revista COMARP, uma publicação dedicada à reflexão sobre comunicação, administração pública e desenvolvimento profissional, onde partilhei o meu percurso no fotojornalismo e a minha visão sobre o papel da fotografia na sociedade.
Nesta conversa, defendo que a fotografia vai muito além de produzir boas imagens. É um instrumento para informar com rigor, preservar a memória colectiva e dar rosto às histórias que muitas vezes passam despercebidas.
Entre os temas abordados, destaco a importância da ética no fotojornalismo, a necessidade de garantir coerência entre o texto e a imagem, os desafios que a inteligência artificial e a manipulação digital colocam à credibilidade da informação, bem como as dificuldades que os profissionais da comunicação visual enfrentam em Moçambique.
A entrevista aborda ainda o lançamento do meu livro Repórter de Sombras e Esperança: A Fotografia como Testemunho da Reportagem, uma obra que reúne parte das experiências que marcaram quase duas décadas de trabalho ao serviço da informação.
Agradeço ao jornalista Benjamim Cristiano e à Revista COMARP pela oportunidade de partilhar esta caminhada. Continuarei a acreditar que a fotografia, quando exercida com ética, sensibilidade e compromisso com a verdade, é uma poderosa ferramenta para preservar a nossa história e contribuir para uma sociedade mais informada e mais humana.
Leia no link:

Carlos Uqueio e a fotografia como testemunho da verdade e da memória colectiva Texto: Benjamim Cristiano Desde os 15 anos de idade, Carlos Uqueio usa as lentes da câmera para comunicar emoções, contextos e histórias. Os seus primeiros momentos com a fotografia surgiram quando ainda vivia com os seus pais, na Matola. Tudo começou com um convite do seu amigo e vizinho, Bern...

06/07/2026

Carlos Uqueio foi o único representante de Moçambique na exposição internacional "Down to Earth: Climate Change and Climate Futures", organizada em parceria com a conceituada World Press Photo Foundation.

A mostra reunia narrativas visuais globais focadas no impacto ambiental e esteve aberta ao público na FEIMA, em Maputo, até 3 de julho de 2026. Através de quatro fotografias impactantes, Uqueio retrata a realidade climática de Moçambique, com destaque para:
-Os efeitos devastadores do Ciclone Kenneth em Cabo Delgado.
-A severa erosão costeira verif**ada no Bairro dos Pescadores, em Maputo.
-Histórias de resiliência e superação das comunidades afetadas.

O evento foi promovido em conjunto com a Embaixada dos Países Baixos e o Conselho Municipal de Maputo, incluindo também workshops de fotografia climática orientados pelo próprio fotógrafo.

Carlos Uqueio conta com uma carreira de 18 anos no terreno. Em abril de 2026, estreou-se no mundo literário ao lançar a sua primeira obra, intitulada "Repórter de Sombras e Esperança: A fotografia como testemunho da reportagem", um livro patrocinado pelo BCI que compila imagens e reflexões que rejeitam o sensacionalismo e documentam a história recente do país.

Photos from YCAC MOZ's post 06/07/2026
26/06/2026

RTP-Artes & Espetáculos -Carlos Uqueio em DESTAQUE NA EXPOSIÇÃO MUNDIAL SOBRE CRISE CLIMÁTICA

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