Alambi
Associação Para o Estudo e Defesa do Ambiente do Concelho de Alenquer .
Localização da sede:
Antiga escola primária de Casais Novos
Para envio de correspondência:
Apartado 63
2684-909 Alenquer
06/08/2026
A regularização fluvial e requalificação paisagística da ribeira da Espiçandeira, tarda em arrancar.
Depois de um inverno intenso, em que a ribeira escoou caudais elevados durante semanas a fio, que provocaram rombos nas margens em diversos locais, de entre os quais a zona urbana de Espiçandeira, a aplicação de um programa de reabilitação surge no momento certo. Os trabalhos são da responsabilidade da Agência Portuguesa do Ambiente e da Câmara Municipal e está previsto um financiamento de 550 mil Euros, para reabilitar 6829 metros de extensão desta ribeira. O Programa foi publicado em abril de 2026, estabelece o período de 2024 a 2026 para a realização dos trabalhos e refere que o projeto está «em execução», mas, a verdade é que estes tardam em começar.
Para além da reabilitação da própria ribeira, esta intervenção irá contribuir para prevenção de cheias em Alenquer, com a laminagem dos caudais, através da retenção de água a montante, nas cabeceiras dos rios, através do restauro das condições naturais, ampliando o espaço de expansão das cheias, recuperando zonas húmidas que funcionam como áreas de retenção natural e prevendo bacias de retenção.
A ideia é restaurar as condições naturais de funcionamento dos ecossistemas ribeirinhos, proceder à recuperação de margens e dos leitos de cheia através de métodos de engenharia biofísica.
Os trabalhos realizam-se no âmbito do Programa Pró-Rios 2030, Programa de Ação para o Restauro Ecológico de Rios e Ribeiras, e inserem-se no Plano Nacional de Restauro da Natureza (PNRN), estabelecido ao abrigo da Lei do restauro da Natureza, que transpõe o Regulamento (EU) 2024/1991.
Ao abrigo deste programa vão ser realizadas 316 ações em todo o país.
06/08/2026
Está em consulta pública até 18 de agosto o Estudo de Impacto Ambiental o Sistema de Armazenamento de Energia Elétrica por Baterias de Iões de Lítio, a instalar nos terrenos da antiga Central Termoelétrica do Carregado, freguesia do Carregado e Cadafais.
Aceda ao estudo aqui: https://participa.pt/pt/consulta/projeto-bigbatt
02/08/2026
Rio de Alenquer, um rio cheio de vida.
O empedramento do leito urbano do rio de Alenquer, realizado há cerca de 20 anos, transformou este trecho num canal, mas, a vida rapidamente encontrou soluções para se reinstalar e, em parte, para o renaturalizar. Surgiram estreitos bancos de sedimentos, recriando as condições naturais, a vegetação nativa reinstalou-se, e, com ela, a fauna aquática, entre a qual a ictiofauna.
Atualmente podemos observar neste trecho patos-reais, garças-brancas, e garças-cinzentas, galinhas-de-água, mas também lontras, que, antes das últimas cheias, se sentiam tão à vontade que, com um pouco de sorte, podiam até ser avistadas em pleno dia, indiferentes à agitação da vila. No inverno, este trecho serve também de habitat a corvos marinhos, que, fugindo da agitação marítima, aqui encontram um local mais calmo e com alimento abundante.
Quanto à ictiofauna, o trecho urbano de rio de Alenquer é habitat da boga-portuguesa, um endemismo ibérico com estatuto de conservação vulnerável, que enfrenta forte risco de extinção; do bordalo, uma espécie em recuperação, que enfrenta riscos de predação por espécies exóticas como a gambúsia, presente em Alenquer, e de perda de vegetação ribeirinha que lhe sirva de refúgio; é ainda habitat da verdemã e do barbo-comum, outros dois endemismos ibéricos, e da enguia-europeia. Sendo o rio de Alenquer um afluente do Tejo, é também expectável que aqui ocorra a boga-de-boca-reta.
Não é, pois, um exagero dizer que, no seu trecho urbano, o rio de Alenquer é um rio cheio de vida. É-o efetivamente e é necessário conservá-lo num estado favorável ao benefício das espécies nativas de que constitui habitat.
Face à artificialização deste trecho e consequente inexistência nas margens de vegetação que sombreie as águas, impeça o seu aquecimento, e constitua zonas de refúgio, a vegetação existente no leito desempenha esse papel fundamental, quer por proporcionar locais de nidificação para as aves aquáticas, quer para sombreamento e constituição de zonas de refúgio para algumas espécies de peixes.
Em 2025 a Câmara Municipal realizou uma intervenção de controlo da vegetação do leito do rio, no trecho urbano, tendo o cuidado de manter um cordão vegetal em todo o perímetro das zonas de escorrência. Este cuidado manteve a proteção aos peixes, mas destruiu as zonas de nidificação das aves aquáticas. Por outro lado, a vegetação transforma o leito do rio numa imensa ETAR natural que consome nutrientes e ajuda a purificar as águas. A qualidade das águas do rio do Alenquer, tem sido monitorizada e, embora corram límpidas, o seu estado químico e biológico ainda não atingiu o nível de Bom (Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo e Ribeiras do Oeste, 4.º ciclo). Apesar das ETAR urbanas e industriais, existe um problema associado à lixiviação de fosfatos e nitratos utilizados na agricultura, cujo tendência geral é de agravamento. A vegetação existente nos leitos das ribeiras, ajuda a consumir estes nutrientes. A qualidade da água a jusante de Alenquer será sensivelmente melhor do que a montante, devido à abundância de vegetação no leito deste trecho urbano.
Todavia, nem tudo está bem. Quer a montante, quer a jusante da vila, as margens estão invadidas por canas, uma espécie exótica que tomou conta dos rios e que substituiu a galeria ripícola. Este sim, é um grande problema para o qual é necessário olhar. Substituir estes imensos canaviais por freixos, salgueiros, choupos-brancos e amieiros, que são o arvoredo natural da beira-rio, é o grande desafio que agora se coloca.
30/07/2026
Técnicos da UNESCO visitam Canhão Cársico de Ota.
O município de Alenquer é candidato a integrar o Geoparque do Oeste, que, por sua vez, é candidato a integrar o Geoparque Mundial da UNESCO. Foi neste âmbito que Alenquer recebeu uma visita técnica de avaliação, que passou por Ota e por outros locais do território do município.
Recordamos que o Canhão Cársico de Ota é um vale muito encaixado, de vertentes escarpadas, que se desenvolve entre Ota e Atouguia, do qual diversos estudos realizados na região destacam a importância em termos geológicos, florísticos e faunísticos. As rochas que nele encontramos datam do Jurássico Superior (cerca de 150 milhões de anos) e tiveram a sua origem num mar Jurássico que cobria toda a região, como é testemunhado pelos fósseis marinhos que nelas podemos encontrar.
Em termos geológicos, toda a Região Oeste está localizada na bacia lusitaniana, uma bacia sedimentar que surgiu no contexto da fragmentação do super-continente Pangeia, da qual viria a resultar a abertura do Oceano Atlântico. A fratura da Pangeia passou por aqui, entre as Portas do Rodão e as Berlengas; Todavia esta fratura viria a abortar, encheu-se de sedimentos e, a fratura que vingou estava localizada a oeste das Berlengas e passa atualmente pelos Açores.
Na Região Oeste, podemos encontrar inúmeros geosítios que preservam relíquias do período Jurássico, desde fósseis, pegadas de dinossauros, ninhos e ovos, esqueletos, arribas litorais, camadas sedimentares, ou domos salinos. O Canhão Cársico de Ota é um desses geosítios.
26/07/2026
Paisagem Protegida da Serra de Montejunto foi criada há 27 anos
Os 27 anos da PP Montejunto são marcados por uma alteração significativa na situação de impasse em que se viveu até aqui. Este impasse, todavia, não foi ultrapassado pela Direção da Paisagem Protegida, mas sim pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), num outro âmbito.
Criada em 1999, a PP Montejunto viria também a integrar, logo no ano seguinte, a Rede Natura 2000, uma rede ecológica Europeia que tem como objetivo a conservação da natureza, da biodiversidade e dos habitats da fauna e da flora. Montejunto passou assim, no prazo de dois anos, a contar com dois estatutos de proteção, sendo um de âmbito regional e outro de âmbito Europeu.
Todavia, uma coisa é publicar decretos legislativos e, outra coisa bem diferente é torná-los efetivos através da sua regulamentação. E, tal como a Paisagem Protegida não teve avanços significativos nestes 27 anos, a Rede Natura 2000 de Montejunto também esteve parada durante 25 anos. Finalmente, em 2025 o ICNF elaborou e colocou em discussão pública um Plano de Gestão da Zona Especial de Conservação da Serra de Montejunto – na qual a Alambi participou, tendo na altura tornado público o seu parecer. O processo foi concluído já em 2026, com a publicação do Decreto-Lei n.º 69/2026, que conclui o processo iniciado 26 anos atrás, e, com a publicação da Portaria n.º 123-C/2026, de 20 de março, que aprova o Plano de Gestão da ZEC da Serra de Montejunto. F**a assim estabelecido um Plano de conservação da Serra, que o ICNF se compromete a executar nos próximos anos.
Quanto à Paisagem Protegida, na verdade, continua sem funcionamento institucional; os órgãos de gestão legalmente estabelecidos foram substituídos pela Associação dos Municípios de Alenquer e Cadaval, que põe e dispõe, subvertendo o quadro legal estabelecido no Decreto Regulamentar n.º 11/99, de 22 de julho, que cria a Paisagem Protegida e estabelece o regulamento do seu funcionamento. Assim, continua sem se saber se a PP tem um orçamento anual, um plano anual ou plurianual de atividades, um quadro de pessoal e nem sequer é publicado qualquer relatório explicativo das atividades que ali possam ser desenvolvidas. Temos, pois, razões para crer que, o que quer que seja feito no âmbito da PP, é feito de modo meramente casuístico.
Este modo de funcionamento contrasta gravemente com o funcionamento de outra Área Protegida existente no município de Alenquer - o Monumento Natural do Canhão Cársico de Ota. Criado há apenas sete anos, o MNCC Ota tem documentos orientadores, os seus dois órgãos institucionais têm reunido e, têm sido realizados trabalhos de conservação.
O Plano de Gestão elaborado pelo ICNF para Montejunto, apesar de constituir um avanço muito significativo na ultrapassagem de um problema que se arrastava há tanto tempo, não o resolve por completo. É que, este Plano aplica-se apenas aos 3830 hectares de Serra que integram a Zona Especial de Conservação, enquanto a Paisagem Protegida tem 4880 hectares, ficando ainda cerca de 1050 hectares sem qualquer plano de conservação.
25/07/2026
Incursão da Alambi em territórios de Salvaterra. Vale bem a pena conhecer a Falcoaria, a zona ribeirinho, Escaroupim, e claro, dar um passeio pelo rio. É de salientar a preocupação que tem havido em preservar as memórias locais com a criação de diversos núcleos museológicos que tão bem impressionam os visitantes. Participaram 32 convivas.
24/07/2026
Alambi eleita para presidir ao Conselho Consultivo do Monumento Natural do Canhão Cársico de Ota.
O MN do Canhão Cársico é uma área protegida que integra a Rede Nacional de Áreas Protegidas. A sua principal singularidade é o Canhão Cársico, um sítio geológico frequentemente considerado como um dos mais importantes do país.
O Monumento Natural estende-se pelas serras de Ota e Atouguia e constitui habitat de importantes espécies protegidas, como a águia de bonelli ou o bufo real. Com a criação da área protegida, teve início um importante trabalho de restauro da natureza que é um exemplo no país.
A Serra de Ota, sendo maioritariamente baldia, foi integrada em Regime Florestal, e apropriada pelo Estado em 1911. Foi então iniciado um trabalho de florestação com diversas subespécies de pinheiro que, à semelhança dos outros baldios apropriados pelo Estado em todo o país, transformou uma parte significativa do território num imenso pinhal. O fim dos Serviços Florestais e o abandono rural, tornou insustentável este modelo de floresta, que, atualmente, está transformado no combustível que alimenta os grandes incêndios de verão.
O Conselho Diretivo do Monumento Natural iniciou um trabalho de renaturalização da Serra, controlando a expansão do pinhal nas áreas ardidas, de modo a possibilitar o restauro da vegetação natural e a tornar a floresta mais resiliente aos fogos, preparando assim um futuro que será mais seco e mais quente.
18/07/2026
A recolha seletiva entre nós, tornou-se numa tragédia sem fim à vista.
Portugal nunca cumpriu as metas estabelecidas pela União Europeia para a reciclagem, sendo a nossa taxa pouco superior a metade da média Comunitária. As metas de reciclagem que o país tem de cumprir são cada vez mais exigentes, tendo subido de 50% em peso do conjunto dos resíduos sólidos urbanos em 2020, para 55% em 2025.
Os valores que apresentamos na tabela (fonte - Valorsul), dizem respeito apenas aos materiais dos 3 ecopontos tradicionais. O que se verifica é que a recolha seletiva desses materiais não teve qualquer evolução nos últimos 4 anos. Se tivermos em conta que a produção média de lixo em Portugal foi em 2024 de 517Kg por habitante, verificamos que a taxa média de recolha na região em 2024, corresponde apenas a 11,2% dos resíduos produzidos. É claro que não são apenas estes materiais que contam para a taxa de reciclagem, mas, a estagnação em que a recolha caiu nos últimos 4 anos leva a uma conclusão óbvia: aquilo que já estava mal, ficou ainda pior.
Aguarmos a publicação dos resultados de 2025 para uma comparação direta com as metas, mas, uma conclusão que já nos parece evidente é que o atual sistema de recolha, baseado em ecopontos atingiu os seus limites, e que, a entidade gestora e os municípios terão de se esforçar muito mais, se quiserem que as taxas de recolha seletiva aumentem. Eventualmente, terão de optar por outro sistema de recolha.
É particularmente impressionante a taxa de recolha seletiva em Azambuja, a mais baixa deste conjunto de municípios ao longo dos últimos 12 anos, representando apenas cerca de 60% da taxa média da Região. A Câmara Municipal manteve durante anos um diferendo recheado de populismo com a Triaza, por causa de um aterro sanitário e Centro de Tratamento de Resíduos Não Perigosos, mas, a verdade é que, uma entidade que se revelou tão exigente com outros, não teve a mesma exigência com o seu próprio desempenho naquilo que é da sua competência.
13/07/2026
O abastecimento municipal de água tornou-se num tema na ordem-do-dia, com o problema surgido em Almada. Aproveitamos o pretexto para, de forma fundamentada, procurar conhecer melhor a situação em Alenquer.
Aqui, o abastecimento em alta é feito pelo grupo Águas de Portugal, pelo que, não é expectável uma situação semelhante à de Almada. Por outro lado, no município de Alenquer existem duas importantes captações de águas subterrâneas, em Alenquer e em Ota, o que constitui um importante fator de conforto para situações de escassez. Os problemas que podem surgir são sobretudo ao nível da gestão das redes. A este nível, a Entidade Reguladora (ERSAR), faz estudos de avaliação das redes de distribuição de água e das redes de saneamento de todo o país, sendo a última datada de 2024. Através deste estudo, podemos conhecer a situação em Alenquer.
Quanto à rede de abastecimento de água, alguns fatores são avaliados como “qualidade de serviço insatisfatória”, nomeadamente a reabilitação de condutas, com apenas 0,7% das condutas são reabilitadas num ano, quando essa taxa deveria estar compreendida entre os 1,5% e os 4%.
A adequação dos recursos humanos no tratamento e na distribuição de água é outro fator com avaliação negativa. A empresa concessionária, Águas de Alenquer, tem apenas 1,4 trabalhadores por cada 1000 ramais, quando, para prestar um bom serviço, deveria ter 2,0 a 3,5 trabalhadores.
A produção própria de energia elétrica é de apenas 2%, quando deveria ser igual ou superior a 10%, isto é, devia haver pelo menos cinco vezes mais produção própria de energia renovável nos pontos onde há bombas elevatórias.
A rede de saneamento dos esgotos domésticos, todavia, apresenta muito mais problemas. Embora seja gerida pela concessionária Águas de Alenquer, é propriedade da Câmara Municipal. O funcionamento das ETAR municipais, por sua vez, é da responsabilidade da Empresa Águas do Tejo, uma empresa do grupo Águas de Portugal e não foi objeto deste estudo.
Diz a ERSAR que em Alenquer as condutas de saneamento são anormalmente sujeitas a inundações (3,85 /1000 ramais.ano, sendo o valor de referência de 0 a 0,25).
A taxa de reabilitação dos coletores é de apenas 0,1% ao ano, quando deveria ser de 1,5% a 4%.
Apenas 1% dos coletores são monitorizados ao longo de um ano, quando essa monitorização deveria acontecer em pelo menos 75% dos coletores.
A eficiência energética das 14 estações elevatórias da rede é insatisfatória (1,14 KWh /m3.100m, quando deveria estar entre os 0,27 e os 0,57 KWh).
A produção de energia renovável nos locais de consumo, é nula, quando deveria satisfazer pelo menos 10% das necessidades.
E, por fim, o controlo das descargas de emergência e de tempestade é de apenas 57%, quando deveria ser de 90% a 100%. Isto é, quando chove há demasiada água da chuva nas condutas de saneamento doméstico e, demasiadas vezes, é feito bypass das ETAR para as ribeiras, para não a tratar água da chuva. Para além de infiltrações na rede, parece-nos ter havido um grave défice de fiscalização e de informação, quer por parte da Câmara, quer por parte da Águas de Alenquer, a quando das ligações das redes particulares aos coletores municipais, quando estes foram construídos, tendo sido ligadas a estes coletores redes pluviais particulares que deviam escoar para as valetas, na ausência de coletores pluviais. O mal está feito e agora será muito difícil remediá-lo. No entanto, o problema foi diagnosticado e, esperemos que uma destas duas entidades passe a fiscalizar estas ligações em novos licenciamentos.
Ao longo dos anos, a ALAMBI tem realizado análises sobre a eficiência ambiental das redes de abastecimento de água e de saneamento doméstico do município de Alenquer, tendo o último trabalho valido uma importante reparação das ventosas da rede de água – dispositivos instalados nos pontos altos para extração do ar das redes e impedir a sua obstrução.
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